quinta-feira, 19 de março de 2015

A fé cristã é uma atitude fundamental de compromisso com relação aos pobres e oprimidos em virtude da certeza radical de que é possível transformar o mundo com a justiça. Mas esta fé, atitude de esperança e compromisso com a justiça e com os pobres e oprimidos, não contém uma definição concreta e integral do mundo concreto em que se deve viver. Não pressupõe uma concepção do mundo traduzível numa ordem econômica e política concreta ou num sistema filosófico.
Estas definições são dadas pela representação ideológica do mundo. São fornecidas pela própria ordem social do mundo em que se vive a fé, quer se trate do mundo hebreu, helenista, medieval, capitalista europeu, capitalista latino-americano ou socialista. A fé não é uma ideologia, embora tenha que exprimir-se numa forma de vida concreta que supõe uma ideologia.

Teoricamente, a fé se exprime em teologia e esta se exprime nas categorias de pensamentos e na linguagem de seu tempo. Em outras palavras, a teologia é escrita com a compreensão do mundo fornecida pela cosmovisão e pela ideologia desse momento e com as definições de verdade e de mentalidade que a linguagem da época fornece.
“Deveria pelo menos ficar claro que a pretensão, muitas vezes manifestada pela hierarquia eclesiástica, de manter, não só a distinção, mas também a separação entre fé e ideologias para proteger melhor aquela, não tem sentido algum em teologia. A fé não é uma ideologia, certamente, mas só tem sentido como fundadora de ideologias.” ( teólogo Juan Luís Segundo).

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